Rio - Moradores feridos sem critério por balas de borracha; tiros traçantes na noite; movimentação de blindados pesados; vídeo mostrando traficantes vendendo drogas; cidadãos dominados por ‘gravatas’ dadas por militares. Depois da maior ação de segurança pública do Estado, que deixou a sociedade fluminense orgulhosa, parece que a Força de Pacificação, que dará lugar a uma UPP, não está dando certo no Complexo do Alemão.
O secretário José Mariano Beltrame explicou que traficantes abrigados em morros da Zona Norte tentam retomar o Alemão, mas não vão conseguir — contando, para isso, a ajuda dos chefes do Exército, que podem trazer mais 1.000 homens. O comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, reconhece a crise, mas diz que a instituição não vai permitir o retorno do crime.
Tendo por base a fala destas autoridades, trata-se, assim, do grande teste das UPPs, a estratégia de controle da violência e do narcotráfico em comunidades carentes de maior sucesso nos últimos tempos. As UPPs demonstraram sua aplicabilidade; no entanto, é necessário que o estado não pense somente que esta medida poderá resolver a questão da segurança nas favelas.
Afinal, todos são seres humanos, e, portanto, a criminalidade em geral não está descartada. A tendência ao crime é sempre fascinante, na medida em que se trata de desvio de conduta muito comum em diversas sociedades. Portanto, existe o crime comum em qualquer comunidade. No entanto, também é necessário controlar o grande crime, aquele que provoca maiores transtornos políticos e sociais, como o tráfico de drogas, que deixa suas marcas em nossas comunidades carentes.
O Estado, neste episódio do Complexo do Alemão, caso se trate de um novo enfrentamento dos traficantes contra os policiais, não pode deixar de abdicar de seu papel de ter o monopólio da força para estabelecer a ordem nestas comunidades, historicamente tão carentes da ação pública e de cidadania. Ser eficiente no combate à criminalidade e respeitar a lei, sabemos, é uma tarefa muito difícil, mas não é impossível.
Fonte: O Dia
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